132 anos do nascimento de Cora Coralina; saiba mais sobre a autora

A poetisa Ana Lins dos Guimarães Peixoto, conhecida como Cora Coralina, nasceu na cidade de Goiás, no dia 20 de agosto de 1889. Cora persistiu e publicou seu primeiro livro aos 75 anos tornando-se um grande nome feminino da literatura brasileira.

Cora Coralina começou a escrever poemas e contos quando tinha 14 anos, chega, publicados no jornal de poemas “A Rosa”. Em 1910, seu conto “Tragédia na Roça” foi publicado no “Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás”, usando o pseudônimo de Cora Coralina.

Foi convidada para participar da Semana de Arte Moderna em 1922, mas foi impedida pelo marido.

Em 1934, após a morte do marido, Cora Coralina tornou-se doceira para sustentar os filhos, mas nunca deixou de escrever poemas. Ela também trabalhou como vendedora de livros.

Aos 70 anos, decidiu aprender datilografia e entregou suas poesias a editoras. Em 1965, com 75 anos, Cora Coralina conseguiu realizar o seu sonho de publicar o primeiro livro “O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais”. Confira um trecho da obra abaixo:

Becos de Goiás

Becos da minha terra…
Amo tua paisagem triste, ausente e suja.
Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa.
Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio.
E a réstia de sol que ao meio-dia desce fugidia,
e semeias polmes dourados no teu lixo pobre,
calçando de ouro a sandália velha, jogada no monturo.
Amo a prantina silenciosa do teu fio de água,
Descendo de quintais escusos sem pressa,
e se sumindo depressa na brecha de um velho cano.
Amo a avenca delicada que renasce
Na frincha de teus muros empenados,
e a plantinha desvalida de caule mole
que se defende, viceja e floresce.”

 

 Obras de Cora Coralina:

Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, poesia, 1965

Meu Livro de Cordel, poesia, 1976

Vintém de Cobre: Meias Confissões de Aninha, poesia, 1983

Estórias da Casa Velha da Ponte, contos, 1985

Os Meninos Verdes, infantil, 1980

Tesouro da Casa Velha, poesia, 1996 (obra póstuma)

A Moeda de Ouro Que um Pato Engoliu, infantil, 1999 (obra póstuma)

Vila Boa de Goiás, poesia, 2001 (obra póstuma)

O Pato Azul-Pombinho, infantil, 2001 (obra póstuma)

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